http://rutiglianoroque.zip.net Este é o Blog do Capítulo II: "Brasilidade Contextual", já terminado. : . Texto 06: "A Volta na Ilha de São Vicente"; . Texto 07: "Bogotá"; . Texto 08: "A (Des)Aventura Urbana e Itatinga"; . Texto 09: "À Transversalidade e ao Estadismo"; . Texto 10: "Ruído do Frei Crisântemo: o Paradigma a ser Quebrado "; . Texto 11: "A Existência da Visão e a Inexistência da Abstração."; . Texto 12: "A Busca de Identidade".
Capítulo anterior: http://rutiglianoroque1.zip.net . Capítulo posterior:http://rutiglianoroque3.zip.net
Escrito por ricardorutiglianoroque às 17h18
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"As Crônicas do Contradito."
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 12: "A BUSCA DE IDENTIDADE." (07/04/07)
O Mr. Fosher era um remador de regatas, portanto sabia trabalhar em equipe. Esse imigrante ao chegar no Brasil, morou embaixo da piscina do Clube de Regatas Saldanha da Gama. Com os conhecimentos adquiridos empreendeu negócios com suco de laranja, exportando-o para os Estados Unidos da América, no navio que hoje leva o seu nome. Caso o agricultor evite a monocultura, faça o manejo para descansar a terra na região de cultivo, e além de alimentar os estrangeiros alimente os daqui, haverá aptidão da terra a novo cultivo feito pelo povo, porque ambos não estarão exauridos.
Um inglês criou o Frigorífico Angle. Ele começou com um açougue em Londres, onde colocou na frente uma banda musical, para atrair a freguesia. Deu tão certo, que criou gado no Brasil, em fazenda própria. Montou uma companhia de navios frigoríficos: a Expresso Mercante, para levar as carnes congeladas para Inglaterra. Montou um armazém frigorífico à beira do cais do porto em Santos, para armazenar a carne e o suco de laranja concentrado próprios. Organizou um escritório de despachos especialmente para desembaraço das cargas junto ao governo. Trabalhava lá um jovem, que lhe comprava o melhor café, enviado num de seus navios, na cabine do comandante. Sentia-se importante, pois tocava na embalagem de papel daquele café, quando ainda tinha quatorze anos.
Haviam outros funcionários: a Sra. Alicen rodopiando na ponta dos pés, sempre pronta com leveza e sorridente. Uma taquígrafa exímia. Na visão dela havia o Pedrinho: paquerador que fazia a área externa no escritório das Docas de Santos. Quando esse se ausentou para servir ao exército, criou a vaga ocupada por aquele jovem, que por sua vez deixou de ajudar o contador da empresa. Havia também o hoje saudoso Sr. Meides, chefe bem humorado tido por ela como um solteirão, que depois se casou com a namorada. Era um exímio caçador de antas e pacas, de compleição forte e olhos pequenos e brilhantes. O Sr. Maken sempre sorrindo, mas, com uma perspicácia e cadência de hábil autoridade, que determinava onde ficariam as mercadorias no porão do navio. As equilibrava para a viagem transatlântica, ao fazer os mapas de bordo, em ajuda ao Mr. Case. O Kliguer que lhe vendeu um barco, tipo sandolim, barato porque sem a necessária tampa. Tinha uma personalidade espontânea, parecendo um peixe querendo pular fora do aquário, tamanha a extroversão. Ele era o ajudante do Sr. Maken, junto ao capataz dos armazéns e no navio. O Carlos Antonio que colocou o nome do jovem no seu filho e tinha como característica os traços manuscritos firmes. O Mr. Robertson era elegante e representava o frigorífico dentro da navegação e após sua demissão, morreu aqui com câncer do pâncreas: uma das piores dores que alguém pode sentir, num final trágico. Era o representante de uma cultura: a dos Beatles, na cabeça do jovem. No armazém havia o Sr. Henriques, capataz do armazém de cargas frias que era tido como o rei do dominó, no meio dos pacientes motoristas. O Cláudius que tratava com os mesmos motoristas e falava alto, através de uma janelinha, àqueles que provavelmente não o ouviam direito. Agora se sabe o quanto um caminhão vibra e faz barulho, sobre os paralelepípedos do calçamento das ruas e a surdez que isso provoca. O Sr. Luigi com um humor transparecido numa risada entre dentes, de sorriso fácil numa boca miúda. Era sutil, mas não muito solto: permanecia preso à sua escrivaninha e ao cofre, no seu desempenho de contador. Nas folgas de sábado, quando os bancos fechavam, ia à feira de horta-fruta-e-granjeiros, com sua mulher. Ele datilografava a contabilidade com carbono ao contrário, de tempos em tempos. O que ficava impresso de trás para frente era entregue ao jovem, que o encostava à uma gelatina e dali ao livro-caixa definitivo. Fazia isso no sótão do armazém, onde percebia as horas que sobravam daquele afazer passarem, tão rápida quanto silenciosamente. Galopava-as encima da sua leitura e de uma empilhadeira movida à motor elétrico: "sem niguém saber." (continua) rrr
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por ricardorutiglianoroque às 08h23
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"A Busca de identidade." (continuação)
Esse jovem só tinha irmãs em casa. Seu pai falava para não ficar dentro de casa. Foi trabalhar para ficar perto do seu modelo masculino. Descobriu um pai coloquial, com um sorriso largo: que ria das colocações engraçadas dos outros, transformando o tamanho da sua risada em aprovação da conversa. Mas, também ficava vermelho, imprimindo para sempre nos filhos o seu caráter de cuidador da segurança da família: a financeira. Ele trabalhava na fiscalização do governo das mercadorias exportadas, no armazém IV externo, no cais. Era o fiscal boa-praça. Rígido nos valores e relax nos relacionamentos.
O jovem foi em busca do seu pai e encontrou um universo masculino que o fez presenciar o contraditório democrático que lapidou a sua personalidade. Era um laboratório com uma vitalidade muito grande. A dinâmica era intensa, onde sobressaia a personalidade de cada um sobre o coletivo de trabalho, num tempo que escorregava por entre as mãos; estávamos entre 1969 e 1971. Ele estudava à noite. Lá a maioria trabalhava pela própria sobrevivência e a dos seus. Foi um importante estimulante para a sua humanização, no exercício da sua profissão atual de médico. Dali saiu para ser o encarregado de exportação de um despachante; depois mudou de estado da federação, foi ao exterior, e voltou ao país estudando medicina e à Santos voluntariando-se na Santa Casa de Santos.
Uma vez ainda quando adolescente, no exercício de suas funções, caminhava numa rua próxima ao cais do porto de Santos. Ali foi vítima de juízo de valor, quando na sua mão estava um plástico, daqueles que envolvem o fio-de-cobre-elétrico. Abordado por um homem, bravo, que dizia para não riscar o carro estacionado, desfez o mal entendido: só restava o encapado sem o metal. Ainda assim teve que ouvir que, se o contundente metal lá estivesse, teria acontecido o mesmo uso “testemunhado” por ele. Aquele filme "Pão e Chocolate", com Marcelo Mastroiani, aborda esse sentimento de estar “de fora”: por vestir-se, ter idade ou portar-se diferente: com tristeza. Lá essas histórias são lembradas: o personagem atravessando a fronteira da Itália em direção à Suíça, num auto-exílio forçado. País aquele que se propõe a receber na globalização financeira os valores materiais e acaba gerando empregos. A caminhada do personagem indo da Itália à Suíça em busca de trabalho, se assemelha aqui ao cenário do jovem indo da sua moradia ao trabalho no cais do porto.
O passar a mão no carro, demonstra o querer entrar em contato com uma realidade de rua de difícil abstração. Mas, cantar as músicas dos Beatles podia. Tamanhas riquezas e ainda se remunera mal o trabalho, insuficiente no bom enfrentamento das ruas. Os ingleses moravam em mansões que ocupavam quarteirões inteiros em São Vicente, e do lado de fora, mal calçados eram as ruas e os habitantes daqui, que nelas andavam. (fim) rrr
Categoria: Avaliação
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h21
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"As Crônicas do Contradito." Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 11: (31/03/07) "A EXISTÊNCIA DA VISÃO E A INEXISTÊNCIA DA ABSTRAÇÃO".
-Quando chover tire-me para dançar... Ela começou a chorar e disse que na sua terra natal, Açores ou Cabo Verde, havia 10 anos que não chovia. Já estávamos na virada do milênio. Pois foi nessa estrofe da letra musical, na audição interpretada pela própria autora, que começou um barulho e a entrar água pelo teto do anfiteatro coberto, molhando os ouvintes. O teatro era o da Estação Vergueiro, no início da Avenida Paulista. Era um projeto de integração cultural dos países de língua portuguesa, feito pelo Oboré. (http://www.obore.com/). Nesse dia apresentaram-se esse conjunto e o Paulinho da Viola. Acabado o show avistamos nas calhas de água muitas pelotas de granizo: o teto ficava na altura do estar daquele centro cultural. Essas haviam entupido as vertentes que refluíram a água para dentro do prédio. Ela levantou sua saia elegante e comprida, enchendo-a de esferas de gelo, e dirigiu-se aos seus músicos no camarim com a efêmera lembrança da sua inusitada chuva, "orquestrada" por aquela canção tão especial. Naquela noite ela regeu poeticamente a sua banda, os ouvintes e a natureza, sentindo a lembrança desse fenômeno tão importante e querido: a chuva.
A criança no ventre materno já está sendo considerada um ser com seus direitos éticos reconhecidos, pela psicologia intra-uterina ("Psicologia Intra-Uterina", "Coleção Primeiros Passos"). Os cidadãos menores de 18 anos, os maiores de 65 anos e os portadores de necessidades especiais, já têm os seus estatutos reconhecendo-os com direitos diferenciados dos demais (Constituição do Brasil, 1988.). Serão atendidos no ambulatório médico, por exemplo, na frente dos outros. Uma mãe demora a chegar, por levar seu filho no colo. Um paciente na terceira idade também demora, por ter a sua marcha mais cuidadosa. O jovem por necessitar dormir mais. "Navegar é preciso, viver não é preciso." Ambos só começam a existir a partir da chegada ao seu destino? Será a visão televisa das suas existências, se a resposta for afirmativa, e terá faltado reconhecer o caminho percorrido por eles até ali. Aquele que tem as condições e a agilidade em chegar, chegará antes, pleiteará e será reconhecido em primeiro como "existente". Apesar de primeiro a chegar, terá empreendido menor esforço, diferente dos fragilizados retardatários. Essa ausência de abstração é o verdadeiro mundo cão, gerado pela visão televisiva da existência humana: imediatista por que sem dimensão histórica.
Já havia sido vista a necessidade de cautela, frente aos paradigmas que são todos codificados, se visualizáveis. Agora, mesmo sem visualizá-los, quando são respeitados, estarão ajudando a preservar a vida. Como se ainda existisse: exemplo da chuva e como já existente: do concepto que está para nascer, mas, já sente os acontecimentos. A visão com a devida abstração: vale muito. A abstração sem a obrigatoriedade da visão: humaniza-nos. O homem estaria na condição de animal irracional: na visão sem abstração, e assim permaneceria se a visão televisiva fosse à única.
Os políticos esboçam as políticas de inclusão social das gerações, mas devemos fazer a nossa parte e evitar "...o Estado que jamais deve ser um agente moralizador. O pior Estado é aquele que cria valores." Porém, "Mudanças pontuais e prudentes contra a agonia humana são bem-vindas, mas não a partir de teorias sociais ou psicológicas gerais." Agora, "Responsabilizar prioritariamente o contexto pela desgraça humana é uma mentira científica e tagarela. Não podemos crer nas engenharias psicossociais ... em fundar um paraíso para seres com tão grande vocação para a mentira como nós. O homem utilitarista de mercado, a metafísica marxista, o radical progressista, a asfixia burocrática, o gozo instrumental, a álgebra psicopolítica, todos estrangulam a experiência humana. Prudência, delicadeza e tremor devem nos guiar na formação. Crítica e virtude não são necessariamente irmãs gêmeas. A atitude conservadora, que não é defesa irracional, significa o cuidado com nossa história cognitiva, emocional e intelectual. O que nos humaniza é o convívio com os mortos e com os que ainda não nasceram." (PONDÉ, L.F.: teólogo, filósofo, professor da P.U.C.-S.P; "O Homem Insuficiente" e Folha de São Paulo, pág. A3; 20 de março de 2007).rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h19
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As Crônicas do Contradito"
Autor: Ricardo Rutigliano Roque
Texto 10: (24/03/07)
“RUÍDO DO FREI CRISÂNTEMO: O PARADIGMA A SER QUEBRADO.”
Em Ribeirão Preto, em 1982, algo aconteceu com um médico. Em plantão de clínica-geral no P.S. Central Municipal chamaram-no no descanso, no intervalo entre os atendimentos. Compareceu a uma sala secundária. Orientou o consulente a passar em hospital credenciado do I.N.P.S., para seu melhor desempenho em um procedimento.
A acompanhante apareceu depois na televisão, portanto, dentro da casa desse médico, dizendo que era viúva e que lhe faltava dinheiro. Já pressupondo culpa do médico, e aliviando seu desempenho de algoz implacável. Tinha uma estratégia excelente, mas destrutiva. Nieztche, disse que "os grandes problemas da humanidade são em decorrência da vaidade do homem". A verdade atual aparenta ser assim: o circo vai se armando, você vai se encaminhando para o picadeiro, as luzes vão se acendendo, os olhos (dos outros) vão se abrindo, o show vai começando e você é que está lá de palhaço, sem o saber.
O Pronto Socorro tem dessas coisas de “bate e volta” emocional, não absorvido rapidamente. A respiração do médico pode ter assustado a acompanhante: ofegante pode ter parecido ao leigo, num juízo de valor superficial, uma "culpa no cartório". A respiração desse médico, talvez nunca tenha sido a ideal. Agora se sabe por quê. Tem uma paralisia de prega vocal direita, já pesquisada, mas sem diagnóstico, da sua etiologia. Na piscina do Clube de Regatas Saldanha da Gama, sempre um baixinho ganhava dele, na natação em estilo clássico. Quer revanche... Bem não adiantaria porque continua o problema, mas agora faz respiração diafragmática, readquirida com o canto-coral. Quem sabe agora... Talvez tenha sido pouco pedagógico e isso gerou a violência dela. Dentro da tese de um pedagogo, filósofo, matemático e antigo prefeito de Bogotá, na Colômbia: a violência é a derrota da pedagogia, em reportagem na Folha de São Paulo, já citada no sétimo texto.
Se tivesse sido preenchida uma ficha de atendimento teria servido de prontuário (1). Ele teria registrado o seu pensamento ao abaixar a cabeça e escrito algo. Teria servido de prova do atendimento e de análise do contexto, em maior profundidade. O contraditório seria suficiente para a autocrítica do seu superego agir. Porém, foi estabelecido o contato, sem pré-atendimento, sem a ficha de atendimento, ou identificação do paciente adolescente com "dor de ouvido" externa e abscedada. Poderia ter ido para a fila do atendimento do clínico-geral, ali mesmo ou recorrido ao plantão da especialidade na Santa Casa, lá onde estivera aquêle otorrinolaringologista por 2 anos de plantão à distância atendendo só e quase ininterruptamente: haveria de estar outro em seu lugar.
É assustadora também para o médico a ação do paciente, tamanha a certeza desse, quando o recomendam e violenta a reação, quando não corresponde imediatamente a expectativa. Como era final de semana, a sala de curativo de ferimentos infectados estava fechada. Recomendou que fossem, o filho-paciente e sua mãe-acompanhante, à Beneficência Portuguesa. Tão logo ele terminasse o plantão ele iria lá, atende-los. Na época havia o B.A.U. (Boletim de Atendimento de Urgência) do INPS, nos hospitais, que cobriria os custos.
Seria o seu primeiro atendimento naquele hospital, a Beneficência Portuguesa. Ele deve ter denotado insegurança ao orientá-los, por que era recém-ingresso no corpo clínico da Beneficência. Recém saído da residência da Santa Casa, não mais poderia ter ido para lá com eles. Hoje poderia, conforme diz o código profissional... Ou onde se sentir mais seguro.
Voltou uma rádio-patrulha, para fazer Boletim de Ocorrência, com queixa de sua tentativa, sabe-se lá do que... (continua) rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h19
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“RUÍDO DO FREI CRISÂNTEMO: O PARADIGMA A SER QUEBRADO” (continuação)
- Não se consegue auscultar o paciente.Não se consegue ouvir o paciente.
Dessa vez o mesmo médico procurou documentar e sublimou a experiência sofrida, tomando a iniciativa legal, num tamanho proporcional ao do desafio. O ruído e a vibração do trepidar do caminhão, ao passar pelo paralelepípedo que calça a rua, são do velho centro da cidade. Isso já havia posto em risco de desmoronar o patrimônio arquitetônico da Igreja do Convento do Santo Antonio do Valongo, anteriormente. O Frei Crisântemo foi aos jornais e denunciou o fato. Recebeu uma bala de revólver dentro de um envelope. Mas, conseguiu que o trânsito fosse desviado daquela rua para a do ambulatório. Esse mesmo ruído passou a ameaçar a integridade física, já combalida, dos pacientes que afluíam ao ambulatório médico.
Esse mesmo médico foi à primeira comunhão do seu filho, ministrada pelo mesmo frei, na Igreja do Valongo. Ao tirar fotos deles no altar, do seu filho e do frei, ouviu desse último que, ele pai, "queria aparecer". Os dois preferem esse tratamento direto ao invés do feito na terceira pessoa, apesar de não tê-lo usado aqui. O seu filho e ele o haviam deixado em júbilo, um estado de graça. O frei não notou que havia operado nele um milagre; o filho provavelmente sim, havia notado. O médico entrou no curso de pós-graduação de saúde pública, com bolsa da prefeitura, em 1.999. Bolsa instituída pelo médico sanitarista David Capistrano filho, enquanto prefeito. Não necessariamente nessa ordem. Fez do seu trabalho de conclusão de curso um painel com os seus achados, apresentado em congresso médico da sua especialidade, em 2.001. Preparou uma ação cível pública no Ministério Público do Estado, anexado a 62 assinaturas do pessoal médico e para-médico. O Ministério Público foi sensível a essa questão ética da vida e intimou a Prefeitura Municipal a apresentar a sua versão. O trânsito também era para ser desviado da rua do ambulatório, porém, ele preferiu fazer outro caminho, não o do jornal.
O trabalho acadêmico que apenas diagnosticava uma situação de risco à saúde, transformou-se em um instrumento de força, para intimação do concessionário privado do sistema de trens em ceder uma área. Essa área foi desapropriada como passagem de nível, para os caminhões oriundos de Santos atravessarem o trilho de trem, para o lado do cais. Os provenientes de São Paulo tiveram concomitantemente na inauguração do viaduto na Via Anchieta, a sua rota de entrada no cais: eles também passavam pelo ambulatório na sua ida ao cais. Voltou a passagem dos caminhões a ser na Igreja do Valongo, só que mais distante do que antes e atrás. Para isso quebraram-se os muros que cercavam um grande pátio de manobras da linha férrea. Terá sido proporcional essa demora de derrubada do muro ao rito de derrubada de metade do convento para construção da Estação Ferroviária do Valongo, em tempos idos?
Alguém só de passar a mão no muro, por exemplo, já denota estar querendo entrar em contacto com a realidade externa e com o seu contexto. Isso na interpretação psicanalítica. Moralmente, se o bem for de outrem... Complica, pois, quebrar um código, já é interpretado como a própria quebra do paradigma. O “quebrar de muro” então só com ordem judicial. No outro exemplo: “passar a mão” no paciente (remover) levando-o a outro lugar é interpretado como que se apoderando do seu desígnio. O “exalar moral” aos olhos do observador se contrapõe ao necessitar respirar do profissional. É preciso ser cauteloso. Os paradigmas são todos codificados, num simplismo pueril, mas, perigoso.
(1) http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?siab/cnv/siabpSP.def
(fim do texto) rrr
Categoria: Avaliação
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h13
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As Crônicas do Contradito"
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 9: (17/03/07 em edição)
"À TRANSVERSALIDADE E AO ESTADISMO"
Testemunhou-se a transformação da rua: de um "não-lugar" em um espaço de cidadania. Esse testemunho foi ao comício do Lula/Mercadante, em São Vicente (*). Foi à primeira visita de um presidente nas terras de Martin Afonso...
Ao Suplicy que cantou e ao prefeito Térsio que ouviu dele para cuidar bem da cidade, pois lá havia sido "onde tinha tido as minhas primeiras namoradas", roubando as palavras dos presentes. À alguém que citou o Suplicy e às mulheres que então suspiraram: ohhh... ao mesmo tempo, uníssono. Àquele, portanto, que é o xodó da "mulherada".
À Telma que rodava, dançando no palco. À um boneco do Fausto Figueira, idêntico a ele. À Marta Suplicy por estar muito elegante, mesmo de calça comprida. Ao Mercadante que emociona. Ao Lula que cria empatia.
À tarde que comportou também uma militante sozinha, defronte à casinha da Sabesp na Presidente Wilson, com uma bandeira do PT. À sua plástica no bale, com aquele símbolo nas mãos e à sua solidão que foram marcantes.
À unanimidade com que foram ovacionados o Lula, o Eduardo Suplicy, o Márcio França e a Telma. Demonstração também aos que depois vieram: à Maria Lúcia Prandi, ao Fausto e à Mariângela Duarte. Aos que lá também estavam: ao Aldo Rebelo do PC do B e ao presidente nacional do PSB. Ao Marco Aurélio Garcia, já nas suas novas atribuições de coordenador de campanha. Àquela menina do Araguaia que estava nos bastidores.
Ao Lula que avisou já haver sancionado a lei que prevê prisão em flagrante com pena prevista de três anos, para o marido agressor. À lei citada que tem sinergia com o interior das pessoas. À postura de líder assumida do comício em não submeter os eleitores iniciantes, às regras externas aos seus sentimentos. Ao próprio comício que foi uma abordagem cultural e moral na mudança de realidades, que aconteceu na Praça Antonio Carlos Jobim, na altura do "pirulito", na Praia do Gonzaguinha, junto à Biquinha. Ao amigo ecologista dessa testemunha vivencial, por ter com ele falado.
Foi assim testemunhada a inclusão dos que queriam interar-se, lá ou ao saber agora, de uma visão do que se estava falando ali, naquela conversa de palanque. A testemunha é agradecida pelo privilégio de compartilhar de tamanha empatia existente naquele ambiente de cidadania.
(*) no final de 2006. rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h06
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"À Transversalidade e ao Estadismo” (continuação)
Sendo de dia, à tarde e à noite que “... a menina quando dorme põe a mão no coração", imagina-se a qualidade da batatinha, na situação adiante: estará perdida ao invés de esparramada. Explico: no mesmo "não-lugar": a rua, há um palanque da não cidadania. Disse a testemunha que lá se ouve um ruído incompatível com a qualidade de vida, (sono por exemplo) emitido no passar do automóvel pelo bueiro no seu cruzamento com outra rua, isso no início de 2.007. Recém criado e colocado, com dobradiça, redondo e central, próximo à casa de uma menina conhecida sua. Se a sensibilidade não for recuperada para o dia seguinte de lutas, no mínimo, alguém estará cortando a sua própria pele ao tentar fazer o mesmo com qualquer batata, que parecerá estar quente. Transcendendo o pragmático ele imaginou-se no lugar da menina, usando a faculdade humana da abstração: que o diferencia do animal irracional, aqui parecendo uma tese utópica, e perguntou:
- Quais emoções estarão freqüentando a vida dessa menina que deveria dormir em vários momentos do dia? Sim, aquela que está de férias. Sim, também aquela que se iniciará na pré-escola ali tão próxima?
Concluiu apontando a poesia como instrumento da pedagogia cultural e moral, falida para tal junto ao concessionário, por ter à ele requerido nos termos poéticos e amistosos acima transcritos e não ter sido atendido, passado meses. Para mudança da realidade, prostra-se a frustração ao tentar-se seguir o exemplo do palanque político, que aparenta ser transversal superficialmente, mas é longitudinal na educação cidadã. Inicia-se no parágrafo seguinte uma matemática.
À ele parece que: a preservação do patrimônio material está sendo feita em detrimento ao bem maior, que é a própria vida. Talvez porque alguém pudesse levar a boca de lobo, isso se justifica além de explicar? Será a ordem unida de todos acordados para ninguém roubar à concessionária? Mas, já está sendo roubada a individualidade da pessoa física e o sono dela até a uma quadra de distância, por causa de uma pessoa jurídica, irrefletida. Já se tentou contornar o nefasto como era feito antigamente com os bueiros rosqueados: colocando cavacos de madeira que, todavia, dessa vez não surtiram nenhum efeito. A dobradiça funciona como uma alavanca. O cidadão terá que levantar a tampa e colocar uma câmara de pneu? Mas, mesmo ajoelhando-se para tal, não estará garantindo o seu sossego.
Sendo a economia o fator preponderante para ter havido essa troca do equipamento antigo (bueiro com rosqueamento) por outro novo (de dobradiça e mais leve), é de se afirmar que o custo-benefício estará resultando num passivo ambiental que já poderá ser dimensionado: através do baixo rendimento intelectual dos cidadãos, vitimados por essa agressão ao meio ambiente. O dimensionamento da extensão do passivo ambiental, nessa contabilidade, traz a necessidade de:
1º: colocar três pontos de solda, imediatamente de preferência, fixando a tampa à sua moldura;
2º: bloquear a compra de equipamentos semelhantes, para não reincidir no erro. A visão terá que ser a de manter o ativo ambiental sem reverter o passivo contra o cidadão. O pragmático colocado no pedestal se confronta com a postura de outro testemunho de sensibilidade: à do indígena tido como selvagem, pela civilização européia que aqui chegou.
É o testemunho ao perfil humano de Evoré (fonte de luz, candeeiro), indígena que lida com o seu filho portador de necessidades especiais, em 2.007. Cuida dele em sua oca junto à sua mulher que cozinha, mesmo que ele só coma, mas, alimenta a luz da sua alma. Faz jus ao seu nome ou é assim e por isso tem esse nome? Na mística daquela civilização se antevê o potencial. Na civilização branca acredita-se que todos tenham as vocações, mas, há que se acreditar e se alimentar a alma com ações concretas. Então, está faltando alimento para a alma. Tudo muito urgente, já que está falha a pedagogia filosófica e moral, para os "civilizados". Muito palanque na cidadania solidária e aventura com segurança ao invés dessa "pegadinha" adolescente temporã. Deseja-se sem o saber: um cachorrinho na vida íntima para aprender como reportar-se à um ser humano; um passeio na praia, um acalanto, uma canção de ninar e uma leitura reflexiva assim: com o predomínio, sobre uma história ruim, de duas histórias boas de serem sabidas. (fim do texto) rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 21h05
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"As Crônicas do Contradito" Autor: Ricardo Rutigliano Roque
Texto 8: (10/03/07) "A (DES)AVENTURA URBANA E ITATINGA".
Pode-se subir contra a corrente e andar sobre a água: pisando na cúpula do mosaico de pedras. O mosaico de pedras forma um túnel por onde desce um pouco das águas do rio desviado. De vez em quando há propositalmente a falta de uma pedra que permite o êxtase da visão d'água descendo em velocidade vertiginosa. Foram os escravos que juntaram as pedras. Tão íngreme é que convida a subir de costas: as pontas dos pés para baixo serviriam de freios. Da cachoeira sobrou o maciço rochoso. Agora, a maior parte d'água desce dentro de tubulões e movem as turbinas Westinghouse, da usina mais que centenária. Chega-se lá num trem pequeno e de bitola estreita, indo da margem esquerda do Canal de Bertioga até o sopé da Serra do Mar, com uma vila no trajeto. O motor da composição já funcionou por vapor d'água aquecida na queima vegetal; de resto só há o frescor da mata atlântica e da brisa do mar. A urbanização da época é mantida.
Pedro subiu num veículo municipal de transporte coletivo (*). O ponto era o inicial e dentro do ônibus vazio também estava Benedito, um jovem negro e pequeno, confiado aos cuidados do Pedro (**). Os bancos eram simples e sem encosto para a cabeça. Os dois estavam indo para a margem direita do Canal de Bertioga de onde atravessariam para pegar o trem daquela usina de energia elétrica de Itatinga, em Bertioga. O trem os levariam à vila de casas dos funcionários que faziam a manutenção daquela usina, da Companhia Docas de Santos. No trajeto ainda do ônibus, subiu uma senhora e Benedito cedeu o seu lugar a ela. Assim é: o homem enquanto útil durante a semana consegue acesso ao transporte coletivo. Mas, cessando a sua utilidade a partir de sábado à tarde, até domingo: aí a pseudo alforria fica quase sem valia... no final de semana quase não tem condução. O lazer haverá de ser aquele: ficar no bar da esquina? Pedro, o homem cuidadoso deu-se conta tardiamente de tal gesto de Benedito, mas, apressou-se em emitir o seu parecer. Disse que haviam empreendido aquela viagem por ter lugar o suficiente quando subiram. Também disse que aquele jovem não era seu filho e, portanto, os cuidados redobravam. A senhora aceitou e polidamente devolveu-lhe o lugar. O ônibus é um "não-lugar", fruto do usuário no seu protagonismo cotidiano ou de ator social com o conseqüente cenário mal cuidado?
O diagnóstico de faltar lazer por ausência de acesso, via transporte público, é um problema de saúde pública. O homem público tem que usar de bastante filosofia e pedagogia, além de um pouco de matemática. Há que ser ensinada essa lição na licitação, ontem aventureira para ser o empresariar-escravocrático de hoje. Falta portanto a interdisciplinariedade e um compromisso com o médio prazo, além do imediatismo. O ônibus seguiu viagem. (continua)
(*) Os fatos aqui relatados se estenderam de 1991 até os dias de hoje, envolvendo a realidade encontrada em ônibus das diversas cidades da metrópole da Baixada Santista, inclusive os intermunicipais.
(**) A relação de confiança estabelecida entre o adulto e o jovem foi dentro de uma atividade escoteira, conjuntamente com outros jovens e adultos omitidos no texto para melhor enfoque. rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 20h38
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"A (Des)Aventura Urbana e Itatinga". (continuação)
O motorista-cobrador deixou a porta da frente aberta, recentemente usada para o ingresso de uma outra mulher jovem, que subiu mais adiante no trajeto da viagem daquele ônibus, pois estava calor (*) . Porém, necessitou brecar e a moça parou de braços abertos no vidro da frente do coletivo. O profissional desonrou assim o compromisso de cuidar-lhe da retaguarda, pudera: quem mandou ela não ser o Curupira ?! Haja imaginação na solução: a de ter os pés voltados para trás, o que seria de dar inveja. Tal anatomia teria poupado àquela acidentada de tal infortúnio: o da impotência de equilibrar-se andando de costas para o futuro e com a confiança cega depositada no motorista. Mas, apenas olhou sério para ele: um olhar de interrogação e de exclamação, por não ter ao menos fechado a porta. Quase foi abortada daquele útero quentinho, mas, pouco receptivo. Há premência: eta povo que precisa de paz ou de um olhar especial da janela pra fora. Foi lá que passou uma motocicleta, que os fizeram quase sentir o frescor do vento, o andar de frente para o futuro e o brecar livre-arbitrado: pura ilusão, pois sofreriam uma única e fatal vez, para eles e para o país: vide comentário no texto 7, "Bogotá".
A viagem transcorreu assim: pagaram o bilhete e assistiram um necessitado que pediu esmola, explicando tim-tim por tim-tim a sua desgraçada situação. Ouviram a ladainha de um vendedor de treco e presenciaram um batedor de carteira bater também em retirada...É o espanta turista, que também é um alforriado naquele momento. Durante a semana é o "calor humano" do ensardinhamento em lata e mal-ambulante do ônibus. Os passageiros são chantageados pelo esmolar, o vender e o bater de carteira e as letrinhas lidas ali saltam no livro igual pipoca na panela. Existe uma promessa no ar: que a sociedade judaico-ocidental-cristã tenha que sofrer para ir ao céu. Uns precisam sofrer para ir ao céu, mais do que os outros? As opiniões são várias e bonitas, "os fatos é que são teimosos", já dito por alguém. O viajante também tem uma opinião e já fez o seu bordão: serviço mal licitado, serviço não prestado. Motorista conivente, usuário descontente.
O "Querô" de Plínio Marcos, em filme de Carlos Cortez, que estreará em maio nos cinemas, mostrará uma cara social, a desventurada (1). Vale mudar essa realidade? O filme já foi agraciado com quatro premios no Festival de Cinema de Brasília: então, é hora da realidade ganhar Brasília, pois "é a arte, das mentiras, a menor".
(*) Os fatos aqui relatados se estenderam de 1991 até os dias de hoje, envolvendo a realidade encontrada em ônibus das diversas cidades da metrópole da Baixada Santista, inclusive os intermunicipais.
(1) www.queroofilme.com.br rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 20h37
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"As Crônicas do Contradito"
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 7: (03/03/07)
"BOGOTÁ".
Na capital da Colômbia, mímicos constrangem os motoristas que "queimem" a faixa de pedestres, mostrando-lhes um cartão vermelho. O prefeito posou para uma foto de jornal, ao lado de jovens, no cemitério. Era no mesmo número dos poupados em suas vidas, no trânsito. "Filósofo, matemático e pedagogo, Antanas Mockus assumiu, em 95, a prefeitura de Bogotá... Não foram poucos os que o chamaram de 'louco' e 'palhaço' quando ele contratou mímicos. O trânsito, com seus inúmeros acidentes..." (1-2) . Ele verbalizou que a violência é a derrota da pedagogia.
A “Colômbia diminui violência transformando-se em cidade educadora”:
"FOLHA - Por onde começou em Bogotá? ACERO - Talvez o mais necessário seja a liderança política. O prefeito, o governador ou o presidente tem de dar a cara, tomar a responsabilidade para si, ser o líder. Isso nós tivemos em Bogotá. Começou com o ex-prefeito Antanas Mockus,... Ele investiu muito no que chamou 'cultura cidadã '. No respeito ao espaço público, na educação do povo. Um sinal de que uma cidade é insegura é a quantidade de acidentes de trânsito. Mockus priorizou a educação no trânsito. O prefeito colocou 150 mímicos nos principais cruzamentos de Bogotá. Quando alguém estacionava mal ou parava em cima da faixa de pedestres, os mímicos empurravam os carros. As crianças, os pedestres vaiavam os infratores. Era uma maneira lúdica de se educar. Hoje, o número de mortes no trânsito em Bogotá é mais próximo dos índices europeus que dos latino-americanos.
FOLHA - E as pessoas respeitavam essas políticas? ACERO - As condutas cívicas devem respeitar a lei, a cultura e a moral. Como em nossos países a lei nem sempre é respeitada, Mockus trabalhou muito com a cultura e com a moral de cada um. O prefeito seguinte,...investiu em transporte público, em ciclovias, em bibliotecas. O trabalho de melhorar a convivência na cidade foi integrado, não só na segurança. Melhoramos as condições de vidas nas favelas, nas regiões mais pobres. E houve continuidade." (CBN, comentário; 14/08/2006; Folha de São Paulo: Folha On-line).
Ali se agiu com bom humor contra os infratores. A medida foi compreendida e tornou-se simpática. Foi atacado o vício de comportamento no seu cenário mais universal, as ruas, evidente a todos. Ela provocou uma mudança na violência do trânsito, como sendo uma questão de saúde pública. A medida usou de pedagogia e sem provocar o mal, a chamada iatrogenia. Não estigmatizou o indivíduo. Não usou de preconceitos. Foi exemplar, apesar de apenas corretiva.
A causa está no uso de um desfolhante nas plantações de coca, dos cocaleiros, como pseudo prevenção, na Colômbia. Eles são colhedores das folhas da coca, mascadas com Bicarbonato de Sódio. São estimulantes leves, usados desde a escravidão, pra suportarem as jornadas extenuantes. É igual ao café usado pra esse fim até hoje, por aqui. A postura é apenas corretiva: pensam que arrasando a agricultura, estarão agindo preventivamente. Querem evitar que cocaleiro se transforme em cocaineiro (licença pedagógica desse autor, que aqui escreve). Esse último agricultor, também colhe a coca, mas o faz pra refino. Essa é injetada ou aspirada: é ilegal. Sem indicação médica: atenta contra a vida. "O uso de desfolhantes nas plantações de coca fará da Colômbia um novo Vietnã, sob completo controle ..." (3-4) . Todos os donos de outras culturas agrícolas, também assim, estão sendo jogados pra periferia da capital. Bogotá é uma cidade que inchou, por essa migração provocada.
(continua) rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 20h23
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"Bogotá" (continuação) (03/03/07)
Havia uma viña de uma família, de descendência européia. Era na pré-cordilheira dos Andes do lado argentino. Em 1974 do lado de fora da casa ficava um Ford Fairlaine novo. Como que casualmente estacionado, mas, já com mato crescendo ao redor. Foi o veículo usado por um familiar que se acidentou. Tal e qual cavalo indomável, o carro ficava ali preso, como de castigo. Dentro da casa principal estavam à mesa: a família e seus convidados. Eram dois universitários, no feriado do "Dia do Estudante": um argentino e o outro, brasileiro. Sobre a mesa uma tigela plástica, generosa no tamanho, cheia de folhas de coca: um estimulante leve. Conversavam sentados, empilhavam folhas de coca, salpicavam o bicarbonato de sódio e com o dedo polegar e médio levavam a pilha pra dentro da boca. Encaixavam na união da mandíbula, prendendo-a por entre os dentes das duas arcadas dentárias. Mascavam tranquilamente como se estivessem sorvendo um cafezinho: essa substância também uma droga e estimulante leve, mas, lícita. Porém, qual teria sido o fator a induzir aquele familiar a se acidentar ? O passar dos limites em segurança, poderia ter sido a causa? A ingestão de estimulante poderia ter ocasionado uma velocidade incompatível? Fosse uma droga lícita ou ilícita, com a facilidade em consegui-la conforme aquele contexto cultural, teria feito a diferença? Os vetores da violência e da insegurança são maiores na ilicitude. Pela dose inexata, ansiedade na dúvida de quando irá consegui-la novamente, o stress do ilícito e o preço a ser pago. Sergio Cabral Filho, o governador do Estado do Rio de Janeiro, foi entrevistado: “Cabral diz que legalizar drogas ajudaria no combate ao crime” na Reuters, em 2 de março de 2007, (5) . Legalizar é o caminho? A legalização de drogas divide o Rio de Janeiro. Sergio Cabral diz que lei diminuiria a violência. Para César Maia, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, consumo dispararia.
Esses fatos são contemporâneos, mas, distam entre si em trinta anos mais ou menos. Suficientemente pensados, facilitarão o debate. Vendendo-se as drogas, p.e. em farmácias, seria mais seguro? A receita médica, pra isso, seria um fator de inclusão social e chance pedagógica. Estariam mais dignos, na relação humana, aqueles acometidos por essa doença: a cocaino-dependência?
Será o suficiente: legalizar a venda de drogas, para esvaziar de motivos o comércio ilegal, pelo tráfico? Quais os vetores de violência? É importante descriminalizar o consumo. Não é estigmatizando o doente e o agricultor, que se resolve. Isso baixa mais as suas auto-estimas.
Para refletir sobre o porque das drogas no jovem: clique abaixo, em comentários.
(1) Folha de S.Paulo, "Prefeito 'louco' mobilizou a sociedade", Cad. Cotidiano, 15/10/2006;
(2) http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1510200609.htm;
(3) Folha de S.Paulo - "Bové fala em um "novo Vietnã", Caderno Mundo,12/07/2000;
(4) http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1207200003.htm.
(5) http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/070302/manchetes/manchetes_crime_cabral_drogas_pol rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque às 20h23
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"As Crônicas do Contradito"
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 6: (24/02/07)
"A VOLTA NA ILHA DE SÃO VICENTE".
Um deles começou a vomitar no meio das respostas, da boca e do barco pra fora, tanto quanto o vento deixava. Já tinham passado debaixo da Ponte Pênsil, após os bombeiros garantirem que a altura da maré não os fariam bater a cabeça no cano, que por debaixo dela passa.
Dois deles eram recém ingressos e sem a insígnia necessária, de adestramento e formação. Mas estavam em franca evolução. Juntos, em igual situação, haviam com o chefe escoteiro combinado de dissertar, durante o trajeto, sobre o conhecimento assimilado. Não se poderia deixá-los de fora. Na praia receberiam a insígnia.
Em “forma de esquadrilha de aviões”, singravam o mar da Baia de São Vicente, rumo ao mar aberto, através da "Garganta do Diabo". Esse estreito fica entre a Ilha Porchat e a ponta que divide a Praia de Paranapuã da Praia de Itaquitanduva. Há bancos de areia que fazem a corrente marítima já estreitada lateralmente, capotar sobre si mesma, após as ondas subirem em cristas.
Há uma freqüência contínua de ondas duradouras. À espera delas haviam uns três surfistas, sem nenhuma pressa. Com seus cabelos desgrenhados e compridos, permaneciam sentados sobre as suas pranchas, levemente curvados. Era uma situação insólita, mas libertadora para todos. Eles olhavam pra dentro dos barcos, os jovens. Esses estavam impecavelmente vestidos em seus uniformes. Tinham lenços ao redor do pescoço, presos por arganéis de couro. Havia uma fragilidade de escoteiros da terra, na entrega dos seus destinos, ao timoneiro do barco. Faziam uma atividade marinha, vivendo uma aventura com segurança, mas tutelados. Vestiam coletes salva-vidas e eram acompanhados por outro barco salva-vidas, à espreita. Os barcos eram fortes e com motores de centro, e por isso silenciosos. Foi uma surpresa que os estimulou a seguir em frente, dando coragem: provou-se ali que adolescente sim, era capaz de sozinho fazer aquilo, sem a necessidade de ajuda adulta. Era a visão da emancipação almejada, por todos. Pra eles só possível no médio prazo, tão logo descessem ao seu meio habitual: a terra firme. Mas tal e qual o mocinho dos filmes de bang-bang, sem deixar cair o boné: a proteção contra os raios de sol. As radiações ionizantes: ultra-violetas e infra-vermelhas, são maléficas à pele, com o seu efeito somatório. (continua) rrr
Categoria: Citação
Escrito por ricardorutiglianoroque às 12h14
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"A Volta na Ilha de São Vicente" (continuação) (24/02/07)
Sairam da Ilha de Santo Amaro, do povoado de Itapema, rebatizado como Distrito de Vicente de Carvalho. Fica numa das margens do cais. Deram uma volta de quase 360º em torno da Ilha de São Vicente com seus municípios de Santos e de São Vicente. Voltaram à própria Ilha de Santo Amaro, onde existe apenas um município, o de Guarujá. Foram numa de suas faces, voltada pro mar aberto. Ali há uma praia com um forte de defesa marítima, da costa brasileira.
"Férias de Lula e Marisa são protegidas por barco com metralhadora no Guarujá. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia caminharam por volta das 10h de ontem na praia do Artilheiro, também conhecida como praia do Monduba, no Forte dos Andradas, Guarujá (87 km da capital), onde devem passar férias até o dia 15" (1). Esses fatos são contemporâneos, distando 16 anos, entre si.
Eles haviam sido convidados a participar daquela atividade, assim como o presidente foi eleito para lá estar. O distrito escoteiro era do Guarujá, seu anfitrião. O chefe escoteiro era da "tropa dois" do seu grupo escoteiro. Ocupava o lugar de um chefe, saudoso hoje, vivo e solidário à época. Os escoteiros eram da época daquele convívio, acontecido na formação da tropa. Eles ainda como lobinhos ou já como escoteiros assistidos pelo chefe e o assistente da tropa antigo e já chefe àquela altura. Eles ainda como lobinhos, da alcatéia assistida pelas respectivas mulheres, dos citados chefes ou já escoteiros com eles. Elas personificavam a Baghera e a Kaa. Haviam passado das mãos delas enquanto lobinhos, por um rio imaginário do mundo do Mogli: um menino da selva, para as mãos do chefe escoteiro. Ali o "melhor possível", lema do lobismo, se mesclara ao "sempre alerta", pra enfrentar tanto estímulo prazeroso e desafio, na defesa da própria vida.
(1) CAMPOS, M. Folha On-line, Folha de São Paulo, 07/01/2007 09h25, Guarujá-Brasil, http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u88395.shtml . rrr
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Categoria: Citação
Escrito por ricardorutiglianoroque às 12h10
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Título: As Crônicas do Contradito.
Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 3: DE LINIERS A CHE GUEVARA.
A vida colonialista tem a sua derrota, quando da recém formada Argentina, na história do seu combate, aos invasores ingleses. Foi até chegar à vitória dos locais em 1806, no período do "Cabildo del 14 de agosto - La Segunda Invasión". Ao lado dos "Patrícios: criollos nascidos en la ciudad, blancos, sin distinciones por motivos de situación econômica o posicion social; Arribeños: blancos nascidos en otras províncias, las de 'arriba'; Pardos y Morenos... índios de la ciudad... esclavos... los españoles europeos... gallegos, andaluces, miñones (o catalanes), viacainos, montañeses (o cantabres)...” (1).
Liniers foi aquele que os comandou, com “... obstáculos al avance de los invasores; la artilleria... estrategicamente..., barreria... a las tropas atacantes;... la caballeria criolla no daria respiro..., los Patrícios aguardaban a pie firme; y ..." (veja a participação dos habitantes locais, na defesa do seu chão) "e... nas casas do trajeto a quem deviam recorrer os inimigos, água fervendo, brasas... nas casas que converteram num inferno o caminho dos agressores... tiveram que render-se depois de verem-se dizimados” (2). Foi uma reação dos habitantes em sua própria defesa.
Antes dessa vitória "Don Santiago de Liniers, capitán del Puerto de Buenos Aires, habiase trasladado a la banda oriental para preparar alli algunas tropas..." (3): que estrategicamente mudava de margem do Rio da Prata, e retornava mais combativo. Foi estudar a situação, tornando-se forte. Mas, por conjunção de coroas na Europa, quando a espanhola submeteu-se à francesa, Bonaparte passou a mandar. Liniers foi considerado suspeito, pelos seus comandados, por sua origem francesa. Cidadão cosmopolita e francês também morreu sim, no ostracismo pessoal, mas, com longevidade e vitorioso nos seus objetivos, o que virou histórico. Os contextos mudam e vê-se a necessidade de revisar o heroísmo.
O herói vitorioso está na história argentina. Ela é contada aos jovens de lá, na sua mais tenra idade, para tal. Esse jovem adquire coragem, o que o projeta para o contemporâneo. Isso também deveria ocorrer, na história comparada, com o jovem brasileiro. Resultaria em ganho na nossa evolução cidadã, ao invés da luta de dominadores e submissos: que não ocorre.
Os adolescentes lembram mais de “Che Guevara”, da história contemporânea latino-americana. Era o médico, o Dr. Guevara. Havia estudado medicina no coração geográfico da Argentina. Formou-se em tempo recorde, num sistema de créditos, na Universidade Nacional de Córdoba. Ele asmático, portanto, com sua noção de tempo alterada, o que dói. Houve outro colega dele, que também lá estudou, mas só contentava-se com a nota dez. Senão, voltava a prestar o exame, matéria por matéria. Será que esse só visava à cura? Mas a primeira matéria no currículo é a Medicina Preventiva, junto com a Anatomia e Histologia. Deduz-se ser matéria diferencial. Simboliza a passagem de uma margem à outra do rio que separará a doença da saúde. Todavia, é o cuidar da pessoa no seu conjunto, abrangentemente. Um modelo com resultados intermediários seria bom? O medo e a precaução gera um ou outro modelo. Também se deve diagnosticar os males do corpo e de alma da pessoa. São os males que o acomete. São os diagnósticos que o ofício médico dita, como tendo que ser feito. Mas, é melhor manter o benefício da saúde antes de chegar a doença, com prevenção.
A área de humanas dá a ferramenta aqui utilizada: a escrita. Ela pressupõe a pessoa sã, faz o contraditório das posturas, e a aproxima para o debate, sem estigmatizar o convívio. Essa abordagem, é apenas uma revisita da outra margem. Com a nova força adquirida e com coragem, se lutará no diagnóstico e tratamento. Porém, levando no peito o ideal da prevenção, algum benefício isso haverá que gerar. Vamos ver um personagem da história brasileira que conseguiu seus objetivos, não se privou do convívio e foi longevo?
(1) LERÚ, Resumenes - História Argentina de 3er. año - 1ª parte (1516 a 1813), “Cabildo del 14 de agosto – La Segunda Invasión” (1806); pág. 65, 18ª edicion; Buenos Aires, 1982;
(2) Idem - La Defensa, pág. 68;
(3) Idem - Primera invasión inglesa - La Reconquista, pág. 63.
Categoria: Evento
Escrito por ricardorutiglianoroque às 07h57
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